segunda-feira, 30 de junho de 2008

CARMEN AMAYA

Para dançar, tocar, ou cantar o flamenco não é necessário possuir um dna espanhol, cigano ou algo parecido.Basta estar consciente da condição de ser humano, das possibilidades do corpo e sobre tudo ter algo indefinível que constantemente explode dentro da alma.
Difícil seria classificar de onde vem essa força que se traduz em arte através dos movimentos dos braços, mãos, pés, da voz, do suor da tensão da execução dos passos ou da sustentação de um lamento profundo.
Em minha humilde condição de estudante e curiosa me atrevo a supor que além de celebrar as alegrias e as possíveis conquistas de um povo, a temática do flamenco, juntamente com o tudo que o compõe, mais do que um lamento traz a contestação das injustiças, das desigualdades.Mais do que uma queixa, uma lamúria, há nele a possibilidade da reivindicação, da extrapolação dos limites do querer ao mundo.
Nesse sentido de máxima percepção e utilização dos recursos inerentes a nós humanos e do distanciamento da mediocridade como não exploração das capacidades individuais está Carmen Amaya.
Sua figura pequena e nervosa, seus giros quase desesperados e seu sapateado frenético caracterizavam sua forma de expressão.Parece-me que toda essa grandeza era tão espontânea e endógena que talvez ela mesma não a percebesse.Não quero aqui relacionar a essência da arte em questão com algo executado rapidamente, pois, o que confere ao artista à magia não é somente a perfeição da técnica e sim sua integridade, sua capacidade de transmitir algo essencial àqueles que o assistem.
Nascida em Barcelona no ano de 1913 ,como quase todas as crianças nascidas em famílias ligadas ao flamenco, iniciou sua carreira de bailaora muito jovem e percorreu diversas partes da Espanha e do mundo onde além de dançar em teatros participou de filmes como: ”Maria de la O”, ““La hija de Juan Simón” e etc. Mundialmente conhecida, realizava suas turnês em companhia de toda sua família aos quais ela mantinha e por quem era conhecida como “La Capitana”.
Falece em 1963 em decorrência de problemas renais e recebe inúmeras homenagens por seu desempenho como artista divulgadora da arte flamenca.
Afinal, quais são as características essenciais para um artista?No caso em questão, como deve ser um artista flamenco para que seja ele inteiro, capaz e comovente?Responder à essas questões não é tarefa fácil e se tentássemos chegar a uma conclusão poderíamos ser injustos e pretensiosos. Um bom caminho é olharmos para trás e tentarmos reconhecer nos grandes o que pode nos preencher e nos guiar para a verdadeira essência.

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