REFLEXÃO SOBRE PALESTRA REALIZADA POR GARCIA LORCA Á CERCA DO “DUENDE”
“Estos sonidos negros son el misterio, las raíces que se clavan en el limo que todos conocemos, que todos ignoramos, pero de donde nos llega lo que es sustancial en el arte”. (I ,1068)
“Sonidos negros dijo el hombre popular de España (Manuel Torre) y coincidió con Goethe, que hace la definición del duende al hablar de Paganini, diciendo: “poder misterioso que todos sienten y que ningún filósofo explica” es, en suma, el espíritu de la tierra, el mismo duende que abrazó el corazón de Nietzche, que lo buscaba en sus formas exteriores sobre el puente Rialto o en la música de Bizet, sin encontrarlo y sin saber que el duende que él perseguía habrá saltado de los misteriosos griegos a las bailarinas de Cádiz o al dionisiaco grito degollado de la seguiriya de Silverio”
“La llegada del duende presupone siempre un cambio radical en todas las formas sobre planos viejos, de sensaciones de frescura totalmente inéditas, con una calidad de rosa recién criada, de milagro, que llega a producir un entusiasmo casi religioso.
En toda la música árabe, danza, canción o elegía, la llegada del duende es saludada con “! Alá,Alá!”, “!Dios,Dios!”, tan cerca del “!Olé!” de los toros, que quién sabe si será lo mismo, y en todos los cantos del Sur de España la aparición del duende es seguida por sinceros gritos de “!Viva Dios!”, profundo humano, tierno grito de una comunicación con Dios por medio de los cinco sentidos, gracias al duende que agita la voz y el cuerpo de la bailarina, evasión real y poética de este mundo(…).” (I, 1072).
“En cambio, al duende hay que despertarlo en las últimas habitaciones de la sangre.
Y rechazar al ángel y dar un puntapié o la musa (…).
Se saben los caminos para buscar a Dios, desde el modo bárbaro del eremita al modo sutil del místico. Con una torre como Santa Teresa, y con tres caminos como san Juan de la Cruz. Y aunque tengamos que clamar con voz de Isaías:”Verdaderamente tú eres Dios escondido”, al fin y al cabo Dios manda al que lo busca sus primeras espinas de fuego.”(1, 1069-1070).
“Para buscar al duende no hay mapa ni ejercicio .Sólo se sabe que quema la sangre como un tópico de vidrios, que agota, que rechaza toda la dulce geometría aprendida (…).”(I, 1070)
As palavras acima, do escrito espanhol Federico Garcia Lorca, nos ajudam a entender alguns dos mecanismos mais complexos da arte flamenca: “poder misterioso que todos sienten y que ningún filósofo explica”. Na passagem transcrita temos um exemplo claro do que seria o “duende”. Para muitos estudiosos, espectadores e artistas, mais importante do que o virtuosismo técnico é a capacidade misteriosa que o executador possui de entregar-se por inteiro à sua arte e, conseqüentemente, comover a platéia que o assiste.
O que no texto o autor classifica como Deus, pode ser entendido como força vital, a real energia que existe dentro daqueles que realizam qualquer espécie de trabalho ou arte com o mais íntegro sentimento.No flamenco, além da energia física necessária para a execução do baile (a energia que faz tremer os músculos), por exemplo, existem muitas outras energias envolvidas no processo. Podemos dizer, que ao observar um bailaor percebemos se ele está ou não inteiramente em contato com o que faz.
O “duende” pode ser visto como uma metáfora, uma representação da palavra viver. Quanto mais vida há depositada, mais a arte e o artista se fundem. Essa força, necessária para abrilhantar uma criação, vem dos lugares mais profundos, de fontes ancestrais, de sofrimentos e alegrias carregadas ao longo dos tempos por diversos povos.
O flamenco, por si só, nos toca, porque trata de temas fundamentais para a vida humana, de assuntos estruturais e profundamente ligados a essência das coisas, como a morte; as relações humanas; a felicidade; a dor, coisas que dizem respeito à vida de qualquer indivíduo.
Adotar essa expressão como arte, como transcrição de sensações internas, é levar adiante essa enorme mistura de culturas milenares, é manter contato direto com a liberdade e a história do espírito humano. É perceber que, independente da origem, da classe social, da nacionalidade, todos aqueles que estiverem em contato com seu verdadeiro “eu” e se dedicarem a essa arte por um amor maior, serão capazes de perpetuar o que realmente importa.
Renata Taño
VICENTE ESCUDERO
Por que falar dessa singularíssima personalidade flamenca e não de qualquer outra?Justamente por essa ser extremamente singular e excepcional.Nascido em Valladolid, Espanha, além de bailarino e coreógrafo, era ator, pintor, escritor e muitas coisas mais.Embora alguns escritores contestem a informação, foi considerado o primeiro bailaor a dançar uma seguiriya, que até então-1942, era somente cantada e tocada.Pare ele, esse era o palo com o “compás” mais complicado, por ser “trágico e primitivo, indiano e cigano”, e ressalta que para dançá-lo é necessário “dançar com o coração e sem respirar ou deixar que o próprio coração respire”.Foi através de muito estudo e dedicação que decifrou essa nova maneira de “bailar” e deu a ela suas características próprias, seu “aire” sendo capaz de espetaculares improvisos.
Durante os anos quarenta foi considerado o melhor bailarino do mundo e foi em 1951 que divulgou em um círculo literário de Barcelona seu “DECÁGOLO PARA BAILAORES”.Esse estudo era designado àqueles que desejavam dançar com pureza e contra alguns bailaores de sua época.
Por longo tempo foi considerado louco por muitos em seu país devido á sua técnica inovadora e ao seu radicalismo.Participou em produções cinematográficas na Espanha e em Holiwood, mas não se adequou á maneira de gravar por “pedaços”.Para ele o baile não deveria ser recortado.
“Gostaria de dançar de uma maneira irracional, deixando livre a imaginação sem o controle da inteligência. Prefiro dançar como um inconsciente que como um inteligente. Talvez porque tenha visto, sob o controle da inteligência, realizar-se na arte as maiores mistificações e os maiores enganos (...). Gostaria de dançar diante de uma orquestra que houvesse perdido as partituras e que cada músico tocasse o que lhe ocorresse, ou melhor, melhor ainda se nem ao menos soubessem música!”.
Embora vanguardista, necessário era a seu ver, manter-se fiel ao “jondo”, ao autêntico, extraindo-lhe o mais verdadeiro e útil, o que tivesse ressonância com sua maneira de interpretar o flamenco na contemporaneidade.
Acrescentou ao baile movimentos e pensamentos expressionistas, do ballet europeu e de outras correntes.
Vicente Escudero foi sem dúvida um ícone dentro da cultura flamenca.Além de sua técnica e precisão, foi alguém que tinha o flamenco como arte, como criação, como manifestação do humano, do belo.Suas contribuições ainda estão presentes no que conhecemos hoje como flamenco.
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[1] [1] Tradução livre de: “El Gran libro del Flamenco- volumen I Historia .Estilos”- Ruiz, Manuel Ríos;
www.andaluzia.org/flamenco
LIVROS, FILMES, MÚSICOS E SITES: ALGO MAIS SOBRE O FLAMENCO.
Existem ótimos materiais editados que tratam dos mais diversificados âmbitos do flamenco.A seguir enumeraremos alguns deles indispensáveis para o conhecimento do assunto e que podem ser encontrados em sites de busca ou sites especializados.
Livros:
-“El Gran Libro Del Flamenco- Historia y estilos” Ruiz. Manuel Ríos;
- “Teoria Musical Del Flamenco” Fernández.Lola;
-“El baile Flamenco” Caballero.Angel Alvarez.
-“Misterios del Arte Flamenco” Molina.Ricardo.
Sites:
www.tristeyazul.com
www.andalucia.org/flamenco
http://www.ugr.es/~berlanga/historia.htmciendo
http://www.cica.es/aliens/gittcus/angel.html
http://www.flamenco-world.com
http://www.serraniaderonda.com/flamenco/historia_opera.htm
www.esflamenco.com
www.deflamenco.com
http://flamenconewsbrasil.zip.net/
http://www.lunadelolivar.com.ar/
www.elflamencovive.es
Além desses, existem sites brasileiros e internacionais onde se pode adquirir produtos como sapatos, roupas, discos e livros.
Músicos:
Conhecer a obra desses músicos é fundamental para familiarizar-se com a música flamenca.Elas podem ser encontradas na internet em sites como “emule”.
-Camarón;
-Paco de Lùcia;
-Tomatito;
-Vicente Amigo;
-Enrique e Estrella Morente;
-Niña de los Peines;
-Fernando Terremoto;
-Manolo Caracol;
-Duquende;
-El Cigala;
-Fernanda e Bernarda de Utrera;
-Carmen Linares;
-Miguel Poveda;
-El Lebrijano;
Existem artistas que misturam flamenco e outros ritmos musicais ou que investem no “flamenco pop” como:
-Ketama;
-Rádio Tarifa;
-Ojos Brujos;
-El Bicho;
-Niña Pastori.
Filmes:
-“Flamenco”,“Ibéria”,”Amor Brujo”, “Bodas de Sangre”, “Carmen”,”Salomé”,”Sevillanas”- Carlos Saura.
-“Herencia Flamenca”;
-“Camarón- La Película”. (Dentre outros).
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