“Libre como el aire,
Libre como el viento,
Como las estrellas en el firmamento”
“En ese país donde el sol sale detrás de una oscura montaña, hay una ciudad grande y admirable, rica en caballos. Hace muchos siglos, todas las naciones de la tierra viajaban hacia esa ciudad, a caballo, a lomos de camelo o a pie. Todos hallaban un refugio y una acogida.(Entre aquellos viajeros) había algunas de nuestras tribus. El soberano de aquella ciudad las acogía favorablemente, y al observar que sus caballos estaban bien cuidados les propuso establecerse en su imperio. Nuestros antepasados aceptaron, plantaron sus tiendas en sus fértiles prados. Allí vivieron mucho tiempo contemplando con agradecimiento la tienda azul de los cielos. Pero el destino y los espíritus del mal veían con disgusto la felicidad del pueblo ROM. Entonces, a aquellos lugares dichosos enviaron malvados jinetes JUTSI, que prendieron fuego a las tiendas del pueblo feliz, y tras haber pasado a cuchillo a los hombres se llevaron a la esclavitud a las mujeres y a los niños. Sin embargo, muchos escaparon, y desde entonces no se atreven a permanecer mucho tiempo en un mismo lugar”
As teorias sobre as origens dos ciganos são inúmeras, porém, a maioria delas considera que o povo Romaní teve como berço a antiga Índia.Acredita-se que as margens do Rio Indo, viveu por volta dos anos 3000 a 2000 antes da era Cristã uma civilização conhecedora do urbanismo, do sistema de deságüe e relacionada a Mesopotâmia.Segundo -Francesc Botey
-“O cigano pertence a esta mistura dos povos do norte da Índia que se mantiveram a margem da estrutura social que impuseram os Arios , e são as vítimas iniciais de uma primeira e grande segregação racial, os sem casta, os parias (...) O progressivo endurecimento do sistema de castas não pôde com seu espírito indomável e os grandes movimentos dos povos puseram os ciganos na rota da Europa”
Os “zíngaros” ,como eram conhecidos, não foram somente expulsos da Antiga Índia, percorreram o território europeu e seus mais longínquos países, dentre eles:Alemanha,França,Romênia e etc. Somente na Alemanha, os nazistas mataram a mais de meio milhão de ciganos.
Sua organização social, seus costumes e crenças dificultavam a aceitação desses nômades nos lugares por onde passavam.
Diz-se que chegaram à Espanha por volta do ano 1425.A princípio foram bem recebidos, mas a situação se inverteu quando os árabes foram expulsos da Península e os Reis de Castilla e Leão começaram a estender o Império Espanhol pelo mundo com a descoberta da América.Segundo o escritor inglês George Borrow
“Talvez- não exista um país onde se tenha criado tantas leis com o intuito de extinguir e suprimir o nome, a raça e o modo de viver dos ciganos que vivem na Espanha.”
Uma série de documentos ao longo da história e dos diferentes reinados, foram publicados com a intenção de transformar o modo de vida dos ciganos, de expulsá-los do país, de separar mulheres e homens de seus filhos, de mandá-los as minas, aos navios, oferecer-lhes como escravos sob penas impensáveis e perseguições infundadas, sendo acusados até de canibalismo.As “carceleras”, por exemplo, palo flamenco, tem como referencia desde sua nomenclatura até seu contexto , as prisões, os “cárceres”, realidade mais do que inserida no dia-dia desse povo:
“Carcelero, carcelero,
Carcelero, carcelero,
Porqué no abre la puerta,
Porqué no quiero perderme”
Atualmente, com a criação de órgãos como o “Secretariado Gitano” os direitos dos ciganos têm também seu lugar .A integração entre eles e os “não-ciganos” ainda se dá de uma maneira lenta.Embora não aconteçam mais os barbarismos do passado e o governo tenha passado a enxergá-los como seres humanos, as diferenças culturais, as diferenças de valores, dificultam essa aproximação.Mesmo com a ocorrência dessa “simbiose” essa mistura, por exemplo, do árabe, do judeu, do cristão espanhol com o “viver” do povo cigano, fusão que deu origem ao Flamenco, existe muito por se entender, e é necessário muito mais amor e paciência pelas duas partes para que não haja essa visível separação entre os seres.Os ciganos se recolhem, se unem entre eles, se fecham para que o “payo” originariamente catequizador não venha acabar com sua particularidade, com sua essência.
O que falta talvez seja um respeito mútuo e uma compreensão de que todos temos nosso lugar na sociedade.
Oito de abril, dia mundial dos ciganos.
[i]Renata Taño
[i] -Fragmentos extraídos do disco “Persecución” Juan Peña Lebrijano un relato de Félix Grande.
-Tradução Própria.
A ORIGEM DA PALAVRA FLAMENCO E SEUS MISTÉRIOS
Este, como a maioria dos assuntos à cerca do flamenco ,é permeado por uma série de dúvidas e mistérios.Existem inúmeras hipóteses sobre a procedência etimológica da palavra que denomina, atualmente, esta arte tão complexa.Comecemos então, pela definição encontrada no “Diccionario Enciclopédico Ilustrado Del Flamenco” sobre seu sentido literal:
“Considera-se que a arte, o baile e o toque flamencos, constituem em seu conjunto uma manifestação artística, porque seus estilos, criados sobre bases folclóricas, canções e romances andaluzes, ultrapassaram seus valores populares, alcançando uma dimensão musical superior, cuja interpretação requer faculdades artísticas especiais em todas as ordens. Ainda que o flamenco ,cante ,baile e toque, mantém um sentido estético popular e próprio do povo andaluz,suas manifestações alcançaram o patamar de expressão artística totalmente diferentes do folclore original devido a composições anônimas e pessoais que o estruturaram.Sem deixar de ser uma manifestação popular, o flamenco foi considerado por estudiosos um folclore elevado à arte devido suas dificuldades interpretativas e por sua concepção e formas musicais”. [1]
Manuel Rios Ruiz, em seu livro “El Gran libro Del Flamenco” apresenta algumas das possíveis origens e associações feitas a partir da palavra flamenco.A primeira hipótese remete à palavra Flandres, ou aos nativos deste país, que estiveram em território espanhol durante o século XVI entoando cantos nas catedrais e a eles lhes deu com sentido elogioso o apelido de flamencos. A partir de então a palavra foi utilizada para denominar a um cantor que se destacava, sendo ele de flandres ou não, e chegou-se a acreditar que os ciganos, por cantarem, também haviam vindo dos países baixos.Encontramos também outras associações como: referência à uma faca de grandes dimensões utilizadas em tempos remotos; à vocábulos de origem árabe ,como, “fela-mengus” que significa “camponês errante” o que remete à história dos ciganos; ao pássaro flamingo por sua altivez e elegância comparada à atitude dos bailaores.
Atualmente, a palavra em questão, assume diversos sentidos e identifica um grupo de pessoas interessadas pela arte de mesmo nome, estendendo-se à moda, literatura, música, dança, relacionadas á esta manifestação nascida pela junção de culturas na região de Andaluzia.
[1] Tradução livre de: “El Gran libro del Flamenco- volumen I Historia .Estilos”- Ruiz, Manuel Ríos;
www.andaluzia.org/flamenco
O DESPONTAR DA MÚSICA FLAMENCA
A música flamenca, como a conhecemos atualmente, é resultado de uma mistura, de influências árabes, gregas, bizantinas, judaicas, ciganas e espanholas que remontam aos tempos da invasão árabe à península ibérica, mais precisamente, à região Andaluza, onde o cante jondo despontou.
Acredita-se que a partir dos romanceiros espanhóis e dos cantes mouriscos com seus “quejíos” e “ayeos”, agregados à particularidade de um povo sofrido como o cigano, que chegou a Espanha por volta do século XV, o flamenco tenha surgido dentro da região compreendida por: Trina (Sevilla), Jerez de la Frontera e Cádiz.
As primeiras referências escritas mostram que o cante era executado sem acompanhamento de percussão ou guitarra, sendo as tonás, o primeiro palo conhecido.Além disso, algumas obras como: ”Cartas Marruecas” (1789) de Javier Cadalso; “Escenas Andaluzas” (1838) Serafín Estébanez Calderón (primeiro flamencólogo) e obras de autores românticos estrangeiros, caracterizam o cenário das primeiras “funciones”, reuniões onde se executava o cante.
As apresentações, pelo que se supõe, eram realizadas nas casas dos executantes, para um público restrito.Com o passar do tempo, os músicos se reuniam em vendas, tavernas, onde apareceram as primeiras pegadas do baile flamenco, nos chamados “bailes de candil” (candeeiro).
A partir da segunda metade do século XVIII, os cantaores passaram a ser figuras reconhecidas e atribui-se essa notoriedade, ao fato de serem cobradas as atuações, o que os fez profissionais do cante.Ou seja, o que melhor desempenho obtinha, melhor recebia.Essa profissionalização os aproximou do público e daí se iniciou a extensa trajetória de cantaores e mestres.
O primeiro cantaor que se tem notícia, é Tio Luis el de la Juliana, nascido em Jerez, e segundo alguns estudos, mestre de muitos outros cantaores. Nesse período, muitos dos palos que conhecemos hoje, como seguiriya; soleá; tangos; fandangos; cantes livres; cantinhas e melos espanholes; bulerias, já eram interpretados, e tem-se como verdade, o fato de que pouco foi acrescentado ao original, quanto á forma,até os tempos atuais.[1]
[1] Bibliografia:
www.tristeyazul.com /www.andalucia.org/flamenco
“El Gran Libro Del Flamenco- Historia y estilos” Ruiz. Manuel Ríos
Um comentário:
Pesquisa muito interessante,séria e muito feliz na escolha bibliográfica.
Em relação a estes assuntos, acredito que pouco teremos à acrescentar.
Apenas para ilustrar, farei um pequeno comentário a respeito do último parágrafo sobre " a origem da palavra ...": Hoje, além da definição que descreveu, utilizo o termo para qualificar uma singular maneira de ser. Isto influenciará, ainda que inconscientemente, a concepção artística que estes indivíduos manifestarão, o que considero muito importante em termos de "valor" flamenco.
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